sábado, 12 de fevereiro de 2011

Franklin Jorge Roque



Tarde quente, nublada, leve turno, 
nessas surpresas que revigoram 
recebemos a ilustre visita 
do nosso amigo Franklin Jorge Roque.


Franklin e Bibia, num reencontro afetivo
depois de um hiato de 20 anos.





Um dos símbolos que marcam 
a riqueza dessa personagem
é o persistente lapidar da memória 
no humano encontro dos seres. 


Vivo escritor consistente 
elaborando um ad infinitum relato
entre a literatura e o jornalismo
de inesquecíveis autores de nossa história.


De saborosa leitura o portal FranklinJorge.com
contendo um mágico capitulo sobre o nosso Vale do “Açu, Mitologia e Vivências”!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

2



Memória prodígio, Bibia ainda lembra deste poema mais de 60 anos depois. Foi distribuindo esse bilhete-poema, que a professora Sinhazinha Wanderley [Maria Carolina Caldas Wanderley - Nasceu em 30 de janeiro de 1876, em Assu (RN), e faleceu em 20 de setembro de 1954 nesta mesma cidade.] pedia um empréstimo aos amigos;


I
Pelo Cristo, pela Virgem,
Senhora da Conceição,
Me acuda nesta agonia,
Me valha nesta aflição,
Em que na bolsa não tenho
O valor de um só tostão.

II
Falta-me em casa farinha,
açúcar, pão e café,
Nesta cruenta agonia
Me valho de São José,
Santo por todos bendito
No qual tenho muita fé.

III
Você é pobre e bondosa
lhe peço de coração,
pelas mercês que recebes
na mesa da comunhão,
que clemente e compassiva
para mim estenda a mão.

IV
Tenho pena de quem sofre
Medonhas crises cruéis,
É minha alma sofredora
Que vem cair aos teus pés,
Maria por caridade
Me empreste 10mil réis.

V
São poucos dias que marco
Para vir aqui pagar
Porque os meus vencimentos
Estão prestes à chegar,
E eu irei com presteza
À você reembolsar.

VI
Rogo à Santa Terezinha,
Santa das mais milagrosas,
Que sobre você desfolhe
A minha chuva de rosas,
E lhe dê por toda a vida
Sorte das mais venturosas.



®http://asmeninas-assu.blogspot.com

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Aniversário de 80 anos de Bibia!


"Mais vale amigos na praça
do que dinheiro na caixa..."

"Quem não olha pr'adiante
pra trás fica...

"Loucuras da mocidade
são os troféus da velhice."


"Boa romaria faz
quem em sua casa
está em paz..."

"Faz o bem, 
e não olhes à quem!


...


Click nas imagens para amplia-las:












segunda-feira, 22 de março de 2010


Estimada amiga, boa filha,
irmã amorosa.
Alegria afetuosa. Solidária.
Confiança e Fé religiosa.

Teresinha Segunda Soares de Macêdo

15 de Fevereiro de 1936 - 18 de Março de 2o10

Que a memória alcance
seu exemplo de vida,
na esperança constante
nos caminhos
dessa nossa jornada.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Glosas de Outrora 
e Algumas Histórias!



João Miguel era vizinho de João de Papai, causava rebuliço às saídas frequentes daquele ao Piató, onde passava as noites, quem sabe, com uns namoros, porque isso deixava Joana, sua mulher, em alarido. O poeta em insônia forçada, não aguentando mais as retumbantes queixas de Joana fez essa glosa da situação:


João Miguel no Piató
Deixa Joana em confusão.

Causa pena e causa dó
O vexame em que ela fica.
Ela grita por Titica
João Miguel no Piató.
Hoje eu sei que durmo só,
Aguentar isto não,
Vou botá-lo no porão,
Acabo com a brincadeira.
Diz ele toda besteira
Deixa Joana em confusão.


A aterrissagem de um avião em Assu, novidade para o espanto da cidade pacata, resultou também num certo alvoroço. O novo, o incomum, é sempre um bom tema para a glosa que rápida de gene, é um veiculo, as vezes, relativo às crônicas dos jornais.


Na chegada do avião
Marido perdeu mulher.

Em grande perturbação
Vi no campo um camarada,
Procurando a sua amada
Na chegada do avião.
E em grande confusão
Não sabia nem sequer
Procurando outra qualquer
Em troca da que perdeu,
Pois assim aconteceu
Marido perdeu mulher.


Caboré era um tipão, popular comilão convicto, Tavares e boêmio. O historiador Celso da Silveira nos conta algumas das suas tiradas no seu livro O homem ri de graça.


Caboré fugiu daqui
Com medo de Revoredo.

Ele disse eu vou ali
Não gosto da brincadeira
Pois de xôto e de carreira
Caboré fugiu daqui.
Chegou ele em cabugi
No outro dia bem cedo
Dizendo eu venho com medo
Pois me quiseram prender.
Só vim aqui me esconder
Com medo de Revoredo.


Tenente Revoredo era o novo delegado em Assu, suas ações já viravam estórias pelas ruas da cidade, de tanto ouvir falar no novo oficial, sem conhecê-lo profundamente em pessoa, João de Papai saiu-se com essa:


Este Tenente que veio
Pra mim não pode prestar.

Logo o tipo é muito feio,
De cabra tem a mistura,
Não pode ter compostura
Este Tenente que veio.
Ontem vinha muito cheio,
Com Venvêm a conversar
E eu de perto a escutar
As proezas que fazia,
Em vista do que dizia
Pra mim não pode prestar.


Naquele tempo uma glosa sarcástica rapidamente o Assu percorria...
O novo delegado ouvindo o falar da glosa procurou saber de João de Papai como é que a ele se referia, de pronto o poeta remendou:


O Tenente Revoredo
É bom, é firme, é leal.

De errar não tenho medo
Nem temo ser contestado,
Dizendo é bom delegado
O Tenente Revoredo.
E não se diga que é cedo
Pra exaltar oficial,
Aqui não veio outro igual,
Faz justiça em profissão,
Em qualquer ocasião,
É bom, é firme, é leal.


E, assistindo a cara de pabo do ouvinte, ainda depois emendou:


O Tenente Revoredo
Dá carta e joga de mão.

De ninguém ele tem medo,
Sabe honrar os seus galões,
Só não satisfaz paixões
O Tenente Revoredo.
Seja tarde ou seja cedo
Está sempre em prontidão.
Pode ser qualquer bichão,
Mereceu, ele executa,
Depois de dentro da luta
Dá carta e joga de mão.


Cabucé também era uma figura já folclórica, mantinha a elegância e distinção no vestir-se mesmo nessas ocasiões:


Cabucé cortando bode
Com a bengala na mão.

Digo sem ser por pagode,
A figura é elegante,
Parece mesmo um marchante
Cabucé cortando bode.
Ele torcendo o bigode
De todos chama atenção
E todos que ali estão,
Admiram sua pose.
Ele diz já cortei doze,
Com a bengala na mão.


A verve do poeta também se faz glosa para Dr. Pedro Amorim, quando este fez aniversário:



Compadre Pedro Amorim
Aceite um abraço meu.

Éis estimado por mim
Sem o menor fingimento
Afirmo nesse momento
Compadre Pedro Amorim.
Comecei e vou ao fim
Sempre sendo amigo seu,
Você sempre mereceu
Do amigo a lealdade,
Em prova desta amizade
Aceite o abraço meu.



Estas bonitas, e engraçadas, glosas de Joãozinho notificam a histórica atividade da produção de tijolos “de poeira” que se dá no Entre-rios, uma região da cidade que fica entre o rio Açu e o córrego como bem o nome diz. A caieira é a denominação de uma espécie de pirâmide que é como se empilham os tijolos crus favorecendo a queima:



Pra botar fogo em caieira
Precisa muita cachaça.

Não é só pela poeira,
Muito mais pela quentura,
Pois só natureza dura
Pra botar fogo em caieira.
Só se ouve a estraladeira,
E o canudo de fumaça
Não causa riso nem graça
Só parece um furacão,
Pra aguentar o rojão
Precisa muita cachaça.



Também se queima caieira
Sem precisar de cachaça.

Trabalha-se a noite inteira
Sem vexame e sem fadiga
Comendo enchendo a barriga
Também se queima caieira.
Se enfrenta toda poeira,
Como também a fumaça,
Se leva tudo na graça,
A boca é quem faz o jogo,
Se corre em cima do fogo
Sem precisar de cachaça.




Conta-se que quando ainda menino se ele batia na porta e de dentro da casa vinha a pergunta: Quem é? Ele respondia: “É João de Papai.” E João de Papai ficou...
João Evangelista Soares de Macedo, o nosso João de Papai nasceu na cidade de Assu, Filho de José Soares de Macedo Filho e Maria Ernestina Soares de Macedo, do seu casamento com Adélia Soares de Macedo nasceram Bibia, Maria Julieta e Tetê, Teresinha Segunda.
Quando na idade aproximada de 25 anos, na Assu daquela época uma moda fez-se padrão, ir ao norte, trabalhar nos seringais de dentro da grande e ainda selvagem Floresta Amazônica. O boato era que lá se juntaria dinheiro com um ciscador... Jovem e sem muita perspectiva de renda aqui, lá foi o poeta para as distantes plagas. Desta viagem, naufragada em seus anseios, resta para a eternidade a mais inspirada lavra de seu talento, o poema A Barca, limite absoluto entre os grandes oradores da antiguidade, em que sentimos o paralelo com a Odisséia de Homero, Os lusíadas de Luis de Camões, e o Barco Ébrio de Arthur Rimbaud. Num fluxo mental entre o lá, onde estava, e o aqui, aonde estavam os seus verdadeiros tesouros, a família, o ninho acolhedor. É com muito orgulho, e entusiasmado drama que As Meninas, suas filhas, repetem a oração deste quadro, já que no navio, que o trouxe de volta, a leitura do poema fez seu upgrade (sua promoção) da terceira para a primeira classe, pelo Capitão emocionado.
A sua poesia é espontânea, nos diz Rômulo Wanderley no seu livro Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense, como a poesia do povo para quem ele improvisa.


A Barca
João Evangelista Soares de Macedo 
(João de Papai)



Corre a barca à todo pano 
e a noite rola no céu.
Beijando a face do oceano
branca gaivota desceu.
No tombadilho molhado 
choro só desventurado,
saudades do meu casal. 
De minha mãe os gemidos
perpassam por meus ouvidos 
como um canto funeral.

Um ano já sobre as vagas 
sem da família saber,
e do pranto as frias bagas 
por alivio ao meu sofrer.
Vê o oceano noite e dia
nas convulsões da agonia
sopradas do furacão. 
E não achar dentre a bruma
uma flor solta na espuma 
que me fale ao coração.

Minha pátria é bem distante, 
a bem distante ela está,
sobre a montanha gigante 
que não se avista de cá.
Lá ficou-me a vida inteira, 
nessa hora derradeira
do meu adeus a chorar, 
como andorinha da serra
vagueio de terra em terra 
condenado a não voltar.

De noite escuto os soluços, 
do marinheiro o clamor,
sobre a amurada debruço 
lembrando a mãe que deixou.
E choro beijando as sombras 
dos denegridos na alfombra
que resvalam destes céus. 
Ai triste de quem proscrito
nem sequer saudoso e aflito 
pode chorar junto aos seus.

É essa a hora da reza 
na minha casa do além,
as luzes brilham na mesa, 
ouso falar minha mãe.
E as criancinhas amadas, 
soltando infantis risadas,
deslizam pelo jardim. 
Entre a alegria do ninho
alguém suspira baixinho
pensando talvez em mim.

És tu minha irmã saudosa 
que a face inclina na mão,
semeando a branca rosa, 
vergada pelo tufão.
E quando o sino da aldeia 
marca a hora triste e cheia
de misticismo no lar, 
na reza do teu conforto
pergunta se serei morto, 
dormindo no fundo do mar.

Ai quem me dera o momento 
dos que passei nos vergeis,
beijando ao sopro de vento 
de minha fronte os anéis.
Proscrito és todo meu nome, 
arbusto pior que a fome,
pior que a serpe, o jaguar. 
Viver sem fé, sem carinho,
por uma escada de espinhos, 
descer ao fundo do mar.





[...]

Estas a seguir são de Tio João, João Adolfo Soares de Macedo, filho de José Soares de Macedo, um pacato empalhador de cadeiras e Maria (Maroca) uma fanática jogadora de cartas, no mais das vezes essa jogatina durava muito tempo, atravessando as refeições... Então:


A casa do meu papai
Está servindo de hotel.

Quem quer comer pra lá vai
E lá lhe dão de jantar.
Penso que vai prosperar
A casa do meu papai.
Sem comer de lá não sai
Após o jantar tem mel,
Depois brinca o carrossel
Maroca faz mil carinhos.
A casa dos dois velhinhos
Está servindo de Hotel.



Se Maroca botar Jogo
Sei que vou dormir na rua.

Não compro lenha pra fogo
Nem mantimento pra casa
Meto os pés espalho brasa
Se Maroca botar Jogo.
Só tentação do diogo
Ou, uma ilusão sua,
Não compro ferro pra pua,
Não empalho mais cadeira.
Se levar na brincadeira
Sei que vou dormir na rua.



Um mote ficou sem glosa? Erra solteiro...
Pelo menos é o que As meninas pensam. Disso elas também se perguntam:


A velhice é um pavor.
Assim diz a mocidade.


Os da boa lembrança nos ajudem nessa história.
De minha parte inventei e rabisquei essas versões, como uma forma de saber, até, se lhes salva a memória.


Sem ser filme de terror,
Assim nos mostra a história,
Mesmo ao mais coberto de glórias,
A velhice é um pavor.
Assusta até o doutor
Sem remédio em solução,
Derruba qualquer barão
Ao mendigo, ela executa.
Aproveite a vida é curta
Assim diz a mocidade.



Pra mim perdeu o valor,
O sujeito displicente
Que nos diz de seu repente
A velhice é um pavor.
Se fazendo de doutor,
Julgando pela idade,
Nisso faz barbaridade.
A juventude é presente
Na saúde inteligente, decente,
Assim diz a mocidade.



A saúde é um valor,
Disso sabe o previdente
Quando fala displicente,
A velhice é um pavor.
Fazendo disso um horror,
Ele esquece que a idade
Nisso faz barbaridade.
Viver a vida contente
Na saúde inteligente,
Assim diz a mocidade.



Dizia Durval, segundo seu filho Dedé(galego do leite):
Um mote termina aonde a glosa começa...



Vi Neto com Rosa embaixo
Dos Fícus da praça São João.
Estou consciente do fato,
vinha andando pela rua,
alto, já ia a lua,
Vi Neto com Rosa embaixo.
Estou bem certo no caso
no fogo estendo a mão,
falharam foi na precaução.
No esfrega em que estavam,
de ver se as copas faltavam
Dos Fícus da praça São João.



[...]

Copyrigth!



Aerostato
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